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A Bursite

Saiba como aliviar os sintomas de uma das mais desconfortáveis dores no ombro

Bursite é o nome dado à inflamação da bursa, também conhecida como bolsa sinovial, que é uma pequena bolsa cheia de líquido que age como um amortecedor, sua função é diminuir o atrito entre músculos, tendões e ossos ao redor das articulações do ombro. Quando a bursa inflama, temos uma das causas mais comuns de queixas de dores nessa região em consultórios médicos.

Causas

A Bursite no ombro, também chamada de Bursite subacromial, pode ser provocada por contusões e traumas, excesso de movimentos repetitivos, como no caso de atletas do vôlei, do basquete, tênis, da natação, entre outros.

Mas outras profissões podem oferecer maior risco para o aparecimento da Bursite, como por exemplo, jardineiros, marceneiros, pintores, operadores de máquinas, motoristas, digitadores e músicos.

A Bursite do ombro também pode ter origem em doenças inflamatórias, como a polimialgia reumática, gota, artrite reumatoide e lúpus.

Sintomas

Dor no ombro e dificuldade para mover o braço são os sintomas mais comuns da Bursite Subacromial.

A dor da Bursite costuma se localizar na parte superior do braço, ao longo do músculo deltoide, podendo irradiar-se até quase o cotovelo. Essa dor inicia-se de forma leve, agravando-se ao longo de dias ou semanas, com a movimentação do braço, principalmente quando tentamos levantá-lo acima da linha do ombro.

À noite, a dor pode atrapalhar o sono, principalmente se a pessoa dormir de lado, em cima do ombro afetado.

Com dor, a tendência é que a pessoa diminua cada vez os movimentos do ombro inflamado, e isso pode levar a outro quadro clínico, a capsulite adesiva, conhecida como ombro congelado*.

Se não tratada logo no início, a inflamação da bursa pode se tornar crônica e de difícil solução, pois o líquido calcifica e enrijece , anulando sua função que é a de proteger a articulação.

Diagnóstico

O diagnóstico da Bursite no ombro é habitualmente feito após avaliação conjunta da história clínica, do exame físico e de exames de imagens.

Durante o exame físico, o ortopedista fará alguns testes, movendo o ombro de diversas formas para identificar quais são os movimentos que causam mais dor. Um outro teste habitualmente utilizado é a injeção de anestésico intra-articular. No caso da Bursite de ombro, a aplicação de anestésicos alivia a dor e permite que o paciente teste a amplitude de movimentos.

A radiografia do ombro não faz o diagnóstico da Bursite, mas ajuda a descartar outras possíveis causas de dor no ombro, como lesões nos ossos ou osteoartrose.

Se após a completa avaliação clínica o ortopedista ainda tiver dúvidas do diagnóstico, será recomendado uma ressonância magnética para avaliar a bursa e os tendões.

Tratamento

Bursite leve

Casos em que a Bursite causa poucas dores, ou está em seus estágios iniciais, podem ser tratados em casa:

  • repouso: fundamental no tratamento inicial da Bursite
  • analgésicos e anti-inflamatórios: orientados pelo médico ortopedista, podem ser necessários para aliviar a dor
  • compressas de gelo de 10 a 15 minutos cada, algumas vezes ao dia (coloque sempre uma toalha entre o gelo e a pele)
  • alongamentos suaves do braço, bem leves, para não forçar e sentir dor.

Bursite grave

Quando tratamentos realizados em casa não respondem, o médico ortopedista poderá indicar medicamentos mais fortes e sessões de fisioterapia.

Cirurgia

Em raros casos, o ortopedista poderá indicar o procedimento cirúrgico para a Bursite. Entretanto, isso só acontece em casos nos quais não houve nenhum progresso em seis meses ou um ano de tratamento.

A intervenção é a Artroscopia, por meio da qual são removidos tecidos danificados que possam estar pressionando a bursa. Assim, cria-se mais espaço entre os tendões. Após a cirurgia, o médico recomendará fisioterapia.

Prevenção

Após o tratamento da Bursite algumas medidas devem ser observadas para diminuir o risco de recorrência:

  • Atividade física orientada por profissional para fortalecimento da musculatura.
  • Alongamentos com orientação profissional.
  • Evitar tarefas que exijam movimentos repetitivos do ombro durante muito tempo.
  • Se não for possível evitar tarefas que sobrecarreguem os ombros, procurar fazer pausas durante o dia.
  • Evitar atividades que causem dor no ombro.
  • Usar as duas mãos para segurar ferramentas ou objetos pesados.
  • Não ficar com o ombro imobilizado por longos períodos de tempo.
  • Procurar manter um boa postura ao longo do dia, principalmente durante o trabalho.
  • Iniciar repouso e tratamento assim que a dor no ombro surgir.
*Ombro congelado é o nome comum da capsulite adesiva. Trata-se de uma condição do ombro responsável por limitar sua amplitude de movimento. Ocorre quando os tecidos da articulação do ombro inflamam de forma reativa a alguma situação local ou sistêmica como, por exemplo, diabetes ou hipotiroidismo. Como resultado, há dor e déficit de movimento. Essa condição é mais provável entre 40 e 60 anos.

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About the author

Dr. João Roberto Polydoro Rosa

Dr. João Roberto Polydoro Rosa

Graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) em 2006. É Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia(SBOT), da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Ombro e Cotovelo (SBCOC) e da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma do Esporte (SBRATE).
Faz parte do Grupo de Trauma do Esporte da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. É Cirurgião de Ombro e Cotovelo do núcleo avançado dos hospitais, Sírio Libânes e Oswaldo Cruz.
Diretor clínico do Instituto Pecchia & Polydoro.
Clínica SO.U – Unidade Bela Vista
R. Barata Ribeiro, 398 - 3º andar - Bela Vista, São Paulo - SP, 01308-000
Tel.: +55 (11) 3258-1706
http://www.clinicasou.com.br

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