Coronavírus

A saúde mental e a pandemia

Pessoas em quarentena - master1305 / Freepik

Para alguns, a pandemia do novo Coronavírus trará inevitavelmente um stress pós-traumático – saiba o que fazer a respeito

A essa altura da pandemia, não é novidade para ninguém o quão estressados podemos estar. A novidade é que, já olhando à frente, cientistas norte-americanos mapeiam os efeitos psicológicos da Covid-19 no pós-pandemia. E concluem: para muitos, os efeitos de um stress pós-traumático serão inevitáveis – ainda que não tenham contraído a doença.

Mesmo durante, ou após a pandemia, algumas pessoas experimentarão traumas e sofrerão de PTSD (sigla em inglês para post traumatic deseases, “distúrbios pós-traumáticos”) como resultado dela”. A afirmação vem do Dr. Joshua Morganstein, diretor da American Psychiatric Association, dos EUA, onde é titular da cadeira Psychiatric Dimensions of Disaster (“Dimensões Psiquiátricas do Desastre”).

American Psychiatric Association - foto divulgação

“Estamos chegando a um ponto da pandemia no qual as pessoas com certeza experimentarão traumas causados por coisas que viveram ou testemunharam durante esses dias”, assegura. O médico afirma que sensações como medo da doença e insegurança em lugares públicos, por exemplo, podem conduzir a emoções mais importantes, como o stress pós-traumático.

Sintomas

Entre os principais sinais de stress pós-traumático com origem na pandemia estão:

  • Ansiedade
  • Apatia, perda de interesse ou prazer nas atividades
  • Irritabilidade constante
  • Tendência ao isolamento
  • Insônia, perda da qualidade do sono
  • Pensamentos confusos ou indesejados
  • Má alimentação, perda de apetite
  • Ter memórias constantes do trauma vivido

Grupos de risco

As pesquisas da American Psychiatric Association sobre stress pós-traumático como resultado da pandemia do novo Coronavírus avaliam a possibilidade de altas taxas do mal, nos meses e anos seguintes pós-pandemia. E detectam as principais situações e respectivos grupos de risco:

senhor tocando instrumento musical durante a pandemia - master1305 - Freepik

Traumas anteriores:

Aqueles que já viveram ou presenciaram situações-limite (incêndios, desastres, etc) podem ser mais afetados.

Perda de entes queridos:

Não apenas por não ter tido a chance de estar ao lado da cama, em suporte a parentes ou familiares adoentados, mas também porque funerais estão praticamente abolidos, durante a pandemia – o que priva as pessoas de um rito fundamental para vivenciar o luto.

Sobreviventes do Covid-19:

A pesquisa aponta altos índices de stress pós-traumático também em sobreviventes, notadamente entre quem passou por UTIs – e achou que iria morrer.

Pessoas afetadas economicamente:

Recessão, desemprego, comércios e empresas de diferentes mercados fechando – não bastasse o impacto econômico, a pesquisa aponta que a este seguem-se as altas taxas de violência doméstica (e contra a mulher) observadas ultimamente. Uma combinação letal na geração de stress pós-traumático na pandemia.

homem no notebook sobre o sofá - master1305 / Freepik

Trabalhadores da linha de frente:

O que dizer de médicos, enfermeiros, nutricionistas, paramédicos, atendentes hospitalares, etc? Expostos cotidianamente ao sofrimento e à morte trazidos pela doença (não raro, morrendo eles mesmos, infelizmente), esse pelotão de heróis é sujeito a sucumbir a traumas psicológicos, quando tudo isso passar.

Médicos atuantes na pandemia - Iaros - Freepik

Algum stress é normal

Qualquer um que passe por eventos turbulentos está sujeito a sintomas psicológicos posteriores, e com o advento planetário do novo Coronavírus não é diferente. Perda de sono, de apetite, irritação, dificuldade em balancear o trabalho em home office, medo da doença e insegurança em relação ao futuro, são sintomas normais em época de pandemia. “Em boa parte dos casos, após algum tempo, o cérebro se adapta novamente à condição anterior pré-trauma”, afirma Dr. Morganstein. Entretanto, ele e outros especialistas advertem que, se os sintomas prosseguirem por tempo indeterminado, ou mesmo aumentarem de forma exponencial, é hora de procurar ajuda especializada. Até porque, distúrbios psicológicos podem ter grande impacto na saúde física e, em casos extremos, até incapacitar o indivíduo. Conflitos familiares, abusos de álcool, drogas e mesmo de medicamentos legais, podem vir na esteira.

“Por outo lado, a boa notícia é que a maioria das pessoas demonstra ter um alto grau de resiliência”, afirma. “A vasta maioria irá passar bem pela pandemia, incluindo quem experimentar dificuldades ao longo dela”, assegura.

linda mulher de frente para o notebook sobre a grama - foto criada por beautiful-young-woman-with-laptop-home-4128 - foto criada por nensuria - Freepik

Nesses casos, o termo científico aplicável é post-traumatic growth, ou crescimento pós-traumático, “um aumento na percepção das pessoas de que, sim, possuem a habilidade de gerenciar grandes dificuldades e desafios. Claro que isso vai do sistema biológico de cada um”, explica o cientista.  

O que fazer – lidando saudavelmente com a pandemia

Enquanto passamos todos pela provação, o melhor a fazer, indica Dr. Morganstein, é tentar lidar com a saúde mental o melhor que pudermos.

“Neste momento difícil, nós, enquanto sociedade, podemos fazer coisas para nos apoiarmos uns aos outros. Pequenos gestos e atitudes no dia a dia, para nós e para o próximo que, no fim das contas, vão melhorar o nosso bem-estar e o de quem nos cerca, durante a pandemia, evitando que possamos desenvolver doenças psicológicas”. 

Voluntários com sinal de positivo - foto criada por Freepik

A cartilha das pesquisas da American Psychiatric Association sobre o combate ao stress pós-traumático na pandemia indica a adoção de atitudes positivas como:

Ajuda ao próximo:

Familiares, amigos, vizinhos: em tempos como os atuais, é importante – e mentalmente saudável – estar conectado com os que nos cercam. Ouvi-los e sermos ouvidos: ainda que no ambiente virtual, a conexão humana e o senso de suporte recíproco são vitais em momentos de caos.

reunião virtual entre amigos -  foto criada por  master1305 - Freepik

Wellness no isolamento social:

Ao menos uma vez ao dia, atividades que gerem bem-estar mental devem fazer parte do cotidiano em isolamento social. Ler, cozinhar, ouvir boa música, ver filmes, caminhar, meditar, passear com os pets, etc, são cuidados domésticos que nos ajudam a atravessar a pandemia de maneira mais equilibrada.

garota no parque passeando com seu pet -  foto criada por freepik

Limitar o “consumo” de notícias:

Se por um lado notícias e boletins nos mantém informados sobre dados vitais em relação à pandemia, passar 100% do tempo ligado nos noticiários e mídias sociais sobre o desastre pode conduzir a um indesejável limite psicológico. Dessa forma, manter um distanciamento estratégico, por alguns períodos, das notícias, ajuda a lidar com a pandemia de forma mais saudável. Ok, isso é quase impossível, em tempos atuais. Mas dar uma trégua ao cérebro – antes de dormir, por exemplo – em relação às más notícias da Covid-19 é muito importante.

Família relaxando no sofá - freepik

Pensar que um dia tudo vai acabar:

Reconforta a noção de que em algum ponto, sim. Até lá, para melhor processarmos as emoções, temos que tentar lidar da maneira mais saudável possível com o que está nos preocupando ou desafiando, e, ao mesmo tempo, cuidando-nos e dos que nos são caros.  

rapaz relaxado sentado numa poltrona - foto criana por yanalya - Freepik

Buscar ajuda profissional:

Se a sensação de sofrimento emocional chegou ao limite, buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza. Caso isso seja inevitável, com o isolamento social muitos terapeutas têm oferecido atendimentos de telemedicina em casos de stress pós-traumáticos, apoiados em resultados tão bons quanto os de atendimento presencial.

teleatendimento terpêutico- foto criada por freepik

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