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Azeite de oliva: sempre saudável

Pesquisas nos EUA reafirmam os benefícios do mais popular ingrediente da Dieta Mediterrânea

Já faz décadas que a mundialmente conhecida Dieta Mediterrânea é tida como uma das mais saudáveis dietas existentes. Agora, novas pesquisas e dados jogam luzes até então não conhecidos sobre um dos seus mais importantes componentes: o azeite de oliva.

Recentemente, cientistas da Heart Association, de Phoenix, no Arizona (EUA) apresentaram os resultados de uma longa pesquisa que teve início ainda nos anos 90. A análise mostra que ingerir diariamente meia colher de sopa de azeite diminui em ao menos 15% os riscos de doenças cardiovasculares, e em 21%, os de infartos do miocárdio. Embora os benefícios do azeite ao coração já seja conhecido há tempos, trata-se da primeira pesquisa do tipo envolvendo exclusivamente a população norte-americana.

Antes, a maioria dessas pesquisas abrangiam o Mediterrâneo ou a Europa”, afirma a Dra. Marta Guasch-Ferre, cientista da Harvard Chan School os Public Health, de Boston, EUA, e líder do estudo. “Mas não havia ainda um estudo mostrando resultados na população norte-americana”.

Novos ângulos

De acordo com Dr. Benjamin Hirsh, diretor de cardiologia preventiva no Northwell Health’s Sandra Atlas Hospital, de Nova York, os benefícios do azeite de oliva são conhecidos já há bastante tempo. “É uma maneira simples de trocar gordura trans animal saturada por uma fonte saudável de ômega-3 que reduz o colesterol e melhora a saúde coronária”, afirma. E, na prática, está associado (o consumo de azeite) à melhora da função cardiovascular e até à sobrevivência, em alguns casos”. Sua comparação diz respeito ao hábito de consumo diário norte-americano de manteiga, margarina, maionese e pasta de amendoim, “muito menos saudáveis que o azeite, quando o assunto é a saúde do coração”. 

Entretanto, a outra boa noticia o novo estudo demonstra que o azeite não é o único óleo a conter tais benefícios. “Na mesma pesquisa, também notamos resultados positivos associados a óleos originários de outras plantas, como o óleo de cártamo, ainda que sejam necessárias mais pesquisas para comprovar seus benefícios para a saúde”, acredita a Dra. Marta Guasch-Ferre.

“Enquanto o azeite foi superior a gorduras animais quando fizemos a analise de substituição, ele não foi superior a óleos vegetais”. Para a cientista, isso indica que outros óleos vegetais também possam ser uma alternativa saudável às gorduras animais. “especialmente porque eles tendem a ser mais baratos no mercado, comparando com o azeite de oliva”, acredita. 

Dra. Guasch-Ferre apontou ainda que essas novas descobertas são consistentes com as recomendações atuais que ressaltam a qualidade, ao invés da quantidade, no consumo de gorduras. Também acrescentou que o estudo levantou novas questões, e que mais dados serão pesquisados e adicionados ao estudo, para um mais amplo entendimento da relação entre o azeite de oliva e o coração. “Uma coisa que não conseguimos analisar ainda são os diferentes tipos de azeite de oliva, por exemplo, o comum e o extra virgem. Há evidências de que as variedades do extra virgem tenham mais polifenóis, que por sua vez são associados a melhores padrões lipídicos e menor inflamação do coração”, diz.  

“Será interessante comparar os efeitos na saúde dessas diferentes variedades de azeites extra virgem, com os efeitos de diferentes variedades de óleos vegetais. E também os mecanismos que definem essa associações”, completa Dra. Guasch-Ferre.

Se os benefícios em trocar o consumo de gorduras animais por azeite de oliva são inegáveis, estão longe de ser a solução definitiva para a boa saúde coronária, advertem os pesquisadores – atividade física, dieta balanceada e visitas periódicas ao médico integram o pacote. “O azeite de oliva sozinho não faz milagres”, afirma o Dr. Benjamin Hirsh. “Focar em um único componente nutricional deixa de fora os benefícios que derivam de uma boa dieta padrão no dia a dia. É como dizer que os pacientes da pesquisa que trocaram gordura animal por azeite tiveram a vida transformada por conta apenas disso”, acredita.   

De qualquer forma, a quem deseja trocar a atual dieta por uma mais saudável, a Dieta Mediterrânea é por si só um excelente começo. Ambos os cientistas, Dra. Guasch-Ferre e dr. Hirsh, chamam a atenção ainda para o fato de que os resultados de seus estudos são observacionais.Tradução: não existe ainda prova de causa e efeito. Por outro lado, admitem que pesa o fato de que esses benefícios do azeite encontram suporte em uma série de outros estudos e pesquisa desenvolvidos ao longo de décadas. “Há muitas pesquisas demostrando que comidas derivadas de plantas, o que inclui aí o azeite de oliva, são benéficas à saúde”, afirma dra. Guasch-Ferre. “E também que manteiga e outras gorduras saturadas não fazem bem, se consumidas em excesso. Por isso, sempre que possível, é melhor usar o azeite de oliva do que outras gorduras animais”

Referências:

Dra. Marta Guasch-Ferre, Harvard Chan School -EUA

Dr. Benjamin Hirsh, Hospital -Nova York

Redação SO.U Movimento

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