Med. Esportiva

Distensão muscular: a fisgada que incomoda.

A “fisgada” que incomoda - Foto criada por Alla Serebrina - br.depositphotos.com

Ainda que não seja incapacitante, distensão muscular requer atenção; dependendo do grau da lesão, tratamento pode ser conservador

Atleta ou não, difícil encontrar quem nunca tenha sido vítima dela – aquela fisgada no músculo, como um puxão, seguida imediatamente de dificuldades em movimentar o membro afetado. Dolorida, a distensão muscular ocorre sempre que um músculo ou tendão é submetido a um esforço que rompe algumas ou muitas fibras musculares. Não incapacita, mas pode gerar muito incômodo e dores, dependendo do grau da lesão.

Os fatores de risco para distensões musculares passam pela falta de condicionamento físico adequado. Atletas de final de semana que não fazem aquecimento antes de atividades físicas, excesso de peso, ou cansaço onde o músculo é exigido além do limite.

Não se pode descartar, entretanto, que uma distensão ocorra em atividades corriqueiras do dia a dia, como, por exemplo, forçar mais o músculo  da coxa ao subir uma rampa, até o ponto de sentir a tal fisgada.  

Os sintomas mais comuns da distensão muscular são:

  • Sensação de fisgada, impressão que o músculo esticou; se em atividade esportiva, a mesma tem que ser abandonada. 
  • Dor de moderada a intensa na articulação próxima ao local atingido; pode haver pontadas.
  • Inchaço e, eventualmente, calor na região.
  • Dificuldade em movimentar o membro afetado, seja braço ou perna.
  • Fraqueza muscular.
  • Aparecimento de manchas roxas na região afetada.

Além disso, as distensões musculares são divididas em três diferentes graus, de acordo com sua gravidade.

Grau 1: Distensão ligeira, pouca dor ou incômodo, estiramento leve sem ruptura de fibras musculares ou tendões.

Grau 2: Lesão moderada, no músculo ou nos tendões.

Grau 3: Distensão grave, devido ao rompimento total do músculo ou tendão, causando extravasamento sanguíneo, inchaço e sensação de calor na área afetada.

A avaliação clínica do ortopedista é o suficiente para concluir o diagnóstico, mas recomendações de exames de imagem raio-x, eletromiograma e ressonância magnética também são indicados.

Recuperação

Nas primeiras horas após a lesão, a primeira medida recomendada no tratamento de uma distensão muscular é o repouso, paralelamente à aplicações de gelo na parte lesionada; ao consultar um médico, anti-inflamatórios poderão ser indicados. Em alguns casos, o tratamento conservador é o suficiente para a curar a lesão.

A fisioterapia pode ser indicada pelo ortopedista. Compressas de gelo e/ou calor, e aparelhos de ultrassom e laser são técnicas empregadas.

A recuperação de uma lesão de grau 3, considerada grave pode levar até quatro semanas ou mais para melhorar.

Prevenção:

Por meio de exercícios, mesmo não atletas podem minimizar as chances de uma distensão muscular. O ideal é manter o(s) músculo(s) devidamente alongado(s). Realizados em casa, no trabalho ou na academia, contribuem muito para evitar surpresas desagradáveis, pois um movimento banal feito com um pouco mais de energia, pode causar a distensão.

Distensão muscular alongamento - foto de Vitalik Rako - Depositphotos

Não são incomuns casos de distensões leves nas quais ocorre a autorregenerarão das fibras musculares rompidas, sem necessidade de tratamentos. Entretanto, deve-se sempre procurar o médico ortopedista, não só para um diagnóstico mais preciso, como também para evitar que uma lesão leve reapareça em grau mais complicado, ou torne-se crônica.

Dr. Jan Willem Cerf Sprey

Dr. Jan Willem Cerf Sprey

Médico do Esporte, especialista em Ortopedia e Traumatologia Esportiva pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Membro do Grupo de Traumatologia da Santa Casa de São Paulo e diretor da Sociedade Paulista de Medicina do Exercício( SPAMDE)
Consultórios: Rua Barata Ribeiro 398, 3° andar
Rua Bandeira Paulista 716, cj 42 – São Paulo-SP
Tel.: + 55 (11) 3258-1706 / 3258-1394 / 96423-5137

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