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Escoliose: o que é e quais são os sintomas

A Escoliose é uma curvatura anormal da coluna vertebral que é diagnosticada na fase de crescimento em crianças e adolescentes

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais de 6 milhões de brasileiros, especialmente os adolescentes, tenham escoliose.

A forma normal da coluna vertebral de uma pessoa inclui uma curva na parte superior do ombro e uma curva na parte inferior das costas. Se a coluna estiver curvada de um lado para o outro ou em forma de “S” ou “C”, pode ser escoliose.

A Escoliose pode ter diversas causas, sendo a mais comum a de origem desconhecida, chamada de idiopática, correspondendo a cerca de 80% dos casos, de acordo com a Scoliosis Research Society (SRS) – Sociedade de Pesquisa em Escoliose. Apesar da origem ser desconhecida sabe-se que tem um componente genético, com incidência maior quando apresenta histórico familiar próximo. O sexo feminino é o mais acometido e tem um potencial maior de progressão. Normalmente é diagnosticada na fase de crescimento em crianças e adolescentes, sendo dividida em 3 tipos: Escoliose idiopática infantil (0-3 anos), juvenil (4-10 anos) e do adolescente (11-18 anos), sendo a última mais comum.

Nas escolioses idiopáticas normalmente as curvas torácicas são inclinadas para a direita, e denominada de Destroescoliose. Já as curvas lombares inclinadas para esquerda, são chamadas de Levoescoliose. Em alguns tipos, além da inclinação para um lado, pode também ocorrer a curva em cifose – inclinação da coluna para frente. Neste caso, o problema é chamado de Cifoescoliose”.

Outras causas de escoliose são:

Escoliose congênita

O termo “congênito” significa que o paciente nasceu com a condição. A escoliose congênita surge na formação da coluna durante a gravidez. Parte de uma ou mais vértebras não se formam completamente, ou as vértebras não se separam totalmente. Este tipo de escoliose pode estar associado com outras malformações congênitas, seja nos rins ou no coração.

Escoliose neuromuscular

Qualquer condição clínica que comprometa os nervos e músculos pode causar escoliose. Geralmente decorre de um desequilíbrio ou fraqueza muscular. As condições mais comuns que causam escoliose neuromuscular são a paralisia cerebral, distrofias musculares e lesão medular.

Escoliose sindrômica

Nestes casos, a escoliose é secundária a outras doenças, como Síndrome de Marfan, Neurofibromatose, Síndrome de Rett, entre outras.

Escoliose degenerativa

Escoliose adquirida em adultos, relacionada ao processo degenerativo, ao desgaste da coluna.

Sintomas e exames

Os sintomas comuns da Escoliose incluem diferença da altura dos ombros, assimetria do tronco e da cintura. A rotação vertebral presente na maioria das escolioses forma “calombos” nas costas, conhecidas como gibas, acentuadas quando o paciente dobra o tronco para frente. Em deformidades graves podem aparecer problemas respiratórios por causa da área reduzida no peito para os pulmões se expandirem. Dores nas costas podem estar presentes, porém não são obrigatórias.

Para saber se uma pessoa realmente desenvolveu a escoliose, o primeiro passo é o exame físico da coluna vertebral feito por um médico ortopedista. Ele também irá solicitar alguns exames de imagem para ter uma visão mais detalhada da coluna. O exame não só confirma o diagnóstico, como permite medir a angulação e ainda possibilita calcular o potencial de agravamento, que é medido em graus. Quanto mais cedo houver o diagnóstico, mais fácil será a correção e controle do desvio.

Esses exames podem ser:

Radiografias, de preferência panorâmicas: Neste teste, pequenas quantidades de radiação são usadas para criar uma imagem da sua coluna, em posição de pé, obtendo imagens de frente e de lado.

EOS: Realizado com um detector de raios X ultrassensível, que permite realizar exames rápidos (20 segundos), em posição ortostática funcional. Tem como vantagem sobre a radiografia convencional a possibilidade de obter imagens do esqueleto por completo e obter imagens em 3 dimensões, com uma dose de radiação ainda menor.

Ressonância magnética: A ressonância magnética é um exame de diagnóstico por imagem que consegue criar imagens de alta definição dos órgãos internos através da utilização de campo magnético. Não utiliza radiação. Na escoliose é utilizada para avaliar se há compressão, aderência ou lesões na medula espinhal, malformações dentro do canal vertebral, invaginação* do tronco encefálico no canal vertebral (Síndrome de Arnold-Chiari), entre outras coisas.

Tomografia computadorizada: A tomografia computadorizada é, de maneira bem simplista, uma espécie de raio-x que enxerga em 360 graus. Dessa maneira consegue imagens em 3 dimensões, avaliando de maneira fiel o esqueleto. Na escoliose é utilizado pra avaliar malformações vertebrais.

*Invaginação é a penetração de parte de uma estrutura orgânica em outra, sendo ambas do mesmo indivíduo.

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About the author

Dr. José Thiago Portela Kruppa

Dr. José Thiago Portela Kruppa

Ortopedista e Cirurgião de Coluna pela Santa Casa de São Paulo
Especialista em deformidades da coluna vertebral
Médico do Grupo de Coluna da Escola Paulista de Medicina
Chefe do Grupo de deformidades da coluna do Hospital Geral de Guarulhos
Cirurgião de Coluna da Clínica SO.U

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