Mão/Punho

Mão formigando? Pode ser Síndrome do Túnel do Carpo

Mulher segurando o punho - foto criada por jcomp / Freepik

Está sentindo um formigamento ou dormência nos dedos indicador, médio ou polegar? Piora à noite? Piorou após menopausa? Você tem diabetes? Essa dormência pode ser Síndrome do Túnel do Carpo (STC).

A STC começa lentamente com sensação de formigamento, dormência, queimação na mão e nos dedos. É causada pela compressão do nervo mediano no punho. As áreas mais afetadas são o polegar, o indicador e o dedo médio. No início, os sintomas costumam aparecer com maior frequência à noite. À medida que a síndrome piora, o formigamento também pode ser sentido durante o dia, juntamente com a dor ao mover o punho e os dedos. A dor acontece na palma da mão.

Outro sintoma da STC é a fraqueza das mãos, que tende a piorar com o tempo. Algumas pessoas não conseguem segurar objetos, fechar a mão ou pegar algo pequeno.

Se não tratada da forma adequada, pode-se evoluir com grave perda da função das mãos, principalmente dos polegares. 

Causas

A STC é diagnosticada com mais frequência entre 45 e 60 anos. As mulheres têm três vezes mais chances de desenvolvê-la do que os homens.

Existem vários fatores que podem causar STC, incluindo diabetes, alterações da função da tireóide, obesidade e doenças inflamatórias. Em muitos casos, a causa é desconhecida.

Veja alguns dos fatores de risco que podem aumentar as chances de desenvolver essa síndrome:

Predisposição genética

A anatomia do túnel do carpo é mais estreita em algumas pessoas do que em outras. Pode haver alterações da anatomia, como persistência da artéria mediana ou musculatura anômala.

Movimentos repetitivos

Em muitos casos, está associada a movimentos repetitivos, que levam à compressão dos nervos e também a processos inflamatórios. As pessoas com certos tipos de trabalho têm maior probabilidade de ter STC, incluindo trabalhadores da linha de produção e montagem. Violinistas, pianistas e alguns atletas têm chance aumentada de síndrome do túnel do carpo. Alguns hobbies, que movimentam repetidamente as mãos também podem causar STC, como tricô, carpintaria e jardinagem. Ainda está sendo debatido se a digitação a longo prazo ou o uso do computador podem contribuir para a síndrome.

Gravidez

Alterações hormonais durante a gravidez, inchaços e acúmulo de líquido podem colocar as mulheres grávidas em maior risco para a síndrome, principalmente nos últimos meses de gestação. A maioria dos médicos trata a STC em mulheres grávidas com uso de órtese, repouso, drenagem linfática e medicações permitidas, evitando-se a cirurgia, uma vez que há enorme chance de melhora dos sintomas após o parto.

Menopausa

Alterações hormonais durante a menopausa contribuem para o desenvolvimento da STC. A longo prazo, há aumento de volume dos tendões que pressionam o nervo mediano.

Câncer de mama

Algumas mulheres que fazem mastectomia com esvaziamento linfático sofrem de linfedema: acúmulo de fluidos que vão além da capacidade do sistema linfático de drená-lo. O linfedema pode ser desde discreto à bastante evidente. Medicamentos para suprimir hormônios femininos usados após alguns tipos de câncer de mama funcionam como uma menopausa exagerada e forçada. Esses são os dois fatores de risco para STC relacionados ao Ca de Mama.

Condições médicas

Pessoas com diabetes, hipotireoidismo, gota, insuficiência renal crônica, obesidade, lúpus e artrite reumatóide são mais propensas a ter STC. Em alguns desses pacientes, as estruturas normais do punho podem aumentar e levar à STC. Além disso, tabagistas com STC geralmente apresentam sintomas piores e se recuperam mais lentamente do que os não fumantes.

Principais sintomas

  • Os sintomas da síndrome do túnel do carpo começam gradualmente e podem atingir variados graus de gravidade.
  • Dormência , formigamento e dor no polegar, indicador, dedo médio e, em alguns pacientes, dedo anelar.
  • Dor e queimação que percorre o braço.
  • Alterações do sono e irritabilidade.
  • Fraqueza nos músculos da mão, que podem sofrer hipotrofia em casos graves e crônicos.

Como é feito o diagnóstico

O médico ortopedista, especialista em mãos, irá diagnosticar a síndrome do túnel do carpo através da história clínica e exame físico minucioso, que incluirá uma avaliação detalhada da mão, punho, ombro e pescoço para verificar as causas de pressão nervosa. Os punhos também serão examinados para verificar os sinais de sensibilidade, inchaço ou qualquer deformidade. Serão também avaliados os dedos e a força dos músculos da mão.

Os estudos de condução nervosa (eletroneuromiografia, eletromiografia) são testes de diagnóstico que podem medir a velocidade de condução, amplitude  e latência dos impulsos nervosos. Se houver perda de velocidade, amplitude ou aumento da latência quando o nervo atravessa o punho, o diagnóstico será positivo para a síndrome do túnel do carpo. Contudo, esse exame costuma ser bastante desconfortável e deve ser solicitado em casos específicos.

Há trabalhos, relativamente recentes, favorecendo o uso da ultrassonografia para auxílio no diagnóstico da Síndrome do Túnel do Carpo, em vez da eletromiografia.

Tratamento                                                                                                               

É importante tratar a síndrome do túnel do carpo com um médico especialista, a fim de se evitar danos permanentes na mão. 

Os fatores de risco, como diabetes ou problemas de tireóide, devem ser controladas para ajudar na melhora da condução nervosa. 

Em casos onde há perda constante da sensibilidade ou hipotrofia da musculatura do polegar (tenar), está indicado o tratamento cirúrgico de imediato.

Para a maioria dos pacientes, contudo, o tratamento não operatório tem grande chance de ser curativo. Principalmente se iniciado precocemente.

Esse tratamento consiste em:

Repouso das mãos e dos braços

Evitar movimentos repetitivos. O médico provavelmente indicará sobre as medidas que se deve tomar para impedir que o STC volte. 

Imobilização com órtese

Médico fazendo procedimentos clinicos na mão de pacientes - foto criada por jcomp - Freepik

Uma tala/ órtese/ munhequeira pode ser usada para apoiar o punho em uma posição neutra. Pode ser usada 24 horas por dia ou apenas à noite. Quanto mais precoce melhor.

Medicamento

O uso a curto prazo de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) pode ser útil no controle da dor na STC. Uma injeção de corticóide pode ajudar a reduzir o inchaço e ter efeito prolongado e permitir que a reabilitação faça efeito. Pode-se realizar infiltração no túnel do carpo para auxílio no diagnóstico diferencial ou tratamento definitivo.

Terapia Ocupacional e Fisioterapia

A reabilitação é parte fundamental do tratamento de quase todas as lesões ortopédicas. Medidas para diminuir edema e volume dos tendões, técnicas anti-inflamatórias e alongamentos ajudam muito no tratamento da STC. O fortalecimento ajuda a recuperar força e destreza da mão e evita a recidiva.

Cirurgia

Mãos formigando? - Foto criada por Rawpixel.com - Freepik

A cirurgia da Síndrome do Túnel do Carpo é uma das cirurgias mais comuns realizadas pelo cirurgião da mão. Está indicada nos casos graves, nas recidivas e nos pacientes que não melhoram com o tratamento conservador. A cirurgia pode ser realizada de forma aberta e endoscópica. Ambas são eficazes e devem ser discutidas com o cirurgião.

Casos mais graves

  • O atraso no tratamento pode levar à hipotrofia da musculatura da mão e perda da função.
  • Pode-se realizar cirurgia de transferência tendínea para recuperar a oposição do polegar e tentar melhorar a força da mão.
  • A sensibilidade tende a demorar mais para melhorar nos pacientes com casos mais graves e crônicos.
Esta informação é fornecida como serviço educacional e não se destina a servir como aconselhamento médico. Qualquer pessoa que procure aconselhamento ortopédico específico ou assistência deve consultar um médico ortopedista.

About the author

Prof. Dr. Diego F. Falcochio

Prof. Dr. Diego F. Falcochio

Prof. Diego F Falcochio,
Médico Ortopedista e Traumatologista, especializado em cirurgia e microcirurgia de mão.
Professor Instrutor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Assistente do Grupo de Cirurgia da Mão e Microcirurgia do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP).
Coordenador Geral da Comissão da Residência Médica da ISCMSP.
Membro da Comissão de Educação Continuada da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM).
Endereços:
Rua Dona Adma Jafet, 74, Conj. 114 - (11) 3214-3534
Rua Estados Unidos, 431 - (11) 3078-1591
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