Coronavírus

O uso de fone de ouvido e o risco de surdez precoce

linda mulher com fones de ouvido - foto criada por marymarkevich / Freepik

Médica especialista explica que a situação é ainda mais preocupante durante a pandemia

Desenvolvido em 1919, o fone de ouvido, que inicialmente era utilizado em cabines de avião e escutas de rádio, com o passar dos anos e o mundo globalizado, ganhou as graças do povo. A praticidade e fácil adaptação deram ao fone o título de acessório sendo comercializado de ponta a ponta, gerando personalidade aos usuários e qualidade de uso.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente, 50% da população entre 12 e 35 anos moradora de países de média e baixa renda escuta música em intensidade que pode ser prejudicial para a sua audição.

Logo, o acessório que antes era considerado moda, agora, com a quarentena e o isolamento social, tonou-se de uso essencial, seja pela sua utilização dentro dos transportes públicos para ida ao trabalho, com também nas aulas online, para assistir filmes/séries e, principalmente, por ser indispensável para o trabalho home-office.

Segundo a médica otorrinolaringologista pela Universidade de São Paulo USP e especialista em Zumbido, Dra. Tanit Ganz Sanches, crianças, adolescentes e adultos tendem a desenvolver surdez precoce, quando exportas ao uso excessivo do aparelho.

“Apesar de ser uma invenção maravilhosa e transformadora, o uso do fone de ouvido de maneira errada ou abusiva pode sim prejudicar a saúde, em especial a dos ouvidos, porém não exclusivamente. O dano costuma ser decorrente de excesso de volume e/ou excesso de tempo e/ou vulnerabilidade individual de cada pessoa, ou ainda, todos os fatores juntos!”, explica Tanit que abaixo informa sobre o uso correto do fone de ouvido, além de explicações quanto aos cuidados a serem tomados.

Confira:

Quais os efeitos danosos do Zumbido?

De acordo com a pesquisadora, Dra. Tanit Ganz Sanchez, o zumbido nos ouvidos é causado pela lesão temporária ou definitiva das células ciliadas. Localizadas no ouvido interno (cóclea), essas células alongam e encurtam repetidamente quando estimuladas por vibrações sonoras.

Ao serem estimuladas por altos níveis de vibrações sonoras, como os causados por uma explosão, fogos de artifícios, o som alto de um fone de ouvido ou em um show, por exemplo, essas células ciliadas ficam sobrecarregadas e podem sofrer lesões temporárias ou definitivas.

A fim de compensar a perda de função das células ciliadas lesionadas ou mortas, as regiões vizinhas passam a trabalhar em um ritmo mais acelerado do que o normal, o que dá origem ao zumbido nos ouvidos, explicou Sanchez.

O uso frequente do fone de ouvido reduz a capacidade auditiva?

A perda dessas sinapses, causada pela exposição a altos níveis de ruído, pode provocar, além da diminuição da capacidade auditiva, alterações neurais em vias auditivas que reduzem a tolerância ao nível de som, como se observou nos adolescentes participantes do estudo, apontaram os pesquisadores.

“O zumbido nos ouvidos e a menor tolerância a níveis de som manifestados pelos adolescentes participantes do estudo podem ser indícios de perdas de sinapses das células ciliadas que não são detectadas em exames audiométricos”, afirmou Sanchez. “Por isso, pode parecer que não há lesão na via auditiva, mas, na verdade, a lesão é que não aparece na audiometria, dificultando o diagnóstico”, ressaltou.

O uso frequente de fones de ouvido e a exposição a ambientes barulhentos, por crianças e adolescentes até os 20, 25 anos, por exemplo, a perda de sinapses tende a continuar progredindo e eles podem ter problemas de surdez enquanto ainda são jovens, afirmou Sanchez.

Saiba a diferença entre os modelos de fone de ouvido mais usado de acordo com Dra. Tanit Sanchez:

  • Fones circumaurais: cobrem toda a orelha e, por isso, oferecem um bloqueio físico à captura dos ruídos externos. Assim, não é necessário aumentar tanto o volume. Têm a melhor qualidade de som.
  • Fones supra-auriculares: também são grandes, mas ao invés de envolverem as orelhas, ficam sobre elas. Então, o bloqueio físico para os sons ambientes é menor.

  • Fones auriculares: são os mais usados, pois já vêm com os smartphones. São colocados próximo à entrada do canal auditivo, mas sem vedá-lo. Não bloqueiam a entrada de sons do ambiente.
  • Fones intra-auriculares: São os menores. Encaixam-se dentro do canal auditivo e bloqueiam a entrada de sons ambientais.

Colaboração:

Dra. Tanit Ganz Sanchez

Médica otorrinolaringologista e Professora Livre-Docente pela Faculdade de Medicina da USP e pioneira no desenvolvimento de pesquisas científicas e na criação de inúmeras ações de conscientização sobre zumbido no Brasil, desde 1994.
http://www.institutoganzsanchez.com.br/

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Jéssica Marques

Jéssica Marques

Jornalista - Colunista Sou Movimento

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