Meditação em tempos de Covid-19: enganos que envolvem a prática

A humanidade vive um momento inédito

Enfrentar uma quarentena não é fácil. Ela pode causar estresse, provocar conflitos nos relacionamentos e elevar os níveis de ansiedade em razão de não se saber quando este período vai acabar e do medo de um futuro, agora sabe-se, imprevisível. Para enfrentar essa turbulência interna, a meditação é apontada como uma ferramenta valiosa para que as pessoas possam relaxar e se reconectar.

Ela é capaz de ajudar a aliviar o estresse e a ansiedade resultante da dificuldade de lidar com o aumento da complexidade de um mundo marcado por uma crise de caráter global e, ao mesmo tempo, cheio de distrações e alienações. Nesse sentido, pode contribuir para que seu praticante se sinta em “comunhão” consigo próprio.

A meditação pode ser praticada em casa e não possui restrições de participantes: crianças, adultos ou idosos estão aptos a praticá-la. A meditação é, então, a busca por unir respiração consciente com uma mente tranquila. Hoje, ela é referendada pelo mundo científico, que já constatou seus benefícios.

Professor no departamento de psicologia da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Toronto e no programa de ciências cognitivas da University College, John Vervaeke transmite todos os dias úteis pela manhã em seu canal no youtube, (em inglês), um breve período de meditação guiada. Ele afirma que existem muitos equívocos a respeito da meditação.


John Vervaeke
Fac. de Artes e Ciências da Univ. de Toronto

Um deles é o de que a meditação diz respeito a alcançar um tipo de relaxamento semelhante à sonolência, que deve deixar seu corpo e mente nublados e sem brilho, levando sua consciência desaparecer. Para ele, o que se busca, na verdade, é um tipo de relaxamento capaz de melhorar o senso de estabilidade e a sensibilidade do praticante.  “Meditação não é férias, é uma educação”, diz ele ao Site de Notícias da Universidade, o U of T News.

O outro equívoco considera que uma pessoa não está meditando, a menos que sua mente fique aberta e em branco. Segundo Vervaeke, essa atitude é errada. Toda vez que uma pessoa se distrai e volta ao seu foco meditativo, ela está, na verdade, construindo o músculo da atenção plena. “É como fazer repetições no treinamento com pesos, exemplifica. Essa volta ao foco meditativo é, então, a atitude correta durante a prática.

De acordo com o professor, centralizar a mente não significa apenas focar a atenção. Significa dar um passo atrás e olhar para ela, em vez de olhar através dela. É como usar óculos. Olha-se através deles o dia inteiro, mas se estão sujos, embaçados, o que se faz é “dar um passo atrás”, ou seja, tirá-los e olhar para eles. Na concepção do professor, é necessário fazer o mesmo com a mente: dar um passo atrás e observar os próprios padrões e processos.

Existem muitas maneiras, notadamente aquelas que utilizam exercícios de respiração, capazes de colocar os praticantes nessa trilha. Basta escolher na internet aquela que se adapta melhor ao estilo de cada um e reservar um período diário para colocar em prática. Normalmente, 15 minutos diariamente são suficientes.

Referências:

Professor John Vervaeke

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Redação SO.U Movimento

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