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Mulheres lesionam mais os joelhos que os homens

Estudos e Pesquisas internacionais revelam que mulheres lesionam mais algumas regiões do corpo do que os homens

A Copa do Mundo feminina de 2019 bateu recordes de audiência pelo mundo. Mas assim como o aumento de público, o número de lesões das jogadoras também cresceu, principalmente entre as brasileiras.

Marta em acao Copa de Futebol feminino 2019 - Jornal El Pais - Foto divulgação - ROBERT CIANFLONE
Foto divulgação – Jornal El Pais

As zagueiras Rafaelle e Bruna Benites, por exemplo, não se recuperaram a tempo de cirurgias no joelho e não entraram na lista de jogadoras convocadas. A atacante Adriana rompeu o ligamento do joelho no mesmo dia em que a escalação saiu. Isso sem contar nas lesões de Fabiana, Marta, Andressa Alves e Cristiane na coxa, Formiga no tornozelo e Erika na panturrilha¹.

Apesar de ter prejudicado o desempenho da seleção na Copa, o desfalque brasileiro não foge da curva. Atletas do sexo feminino têm realmente maior risco para certas lesões relacionadas ao esporte, principalmente aquelas que envolvem o joelho.

Para se ter uma ideia, um estudo publicado no periódico North American Journal of Sports Physical Therapy² revelou que as mulheres têm seis vezes mais chance de ter uma lesão no ligamento cruzado anterior.

Além de problemas nesse ligamento, outras lesões são mais comuns nas mulheres, de acordo com Pedro Baches Jorge, Cirurgião do Joelho e Fundador do Núcleo de Medicina do Esporte do Hospital Sírio Libanês, veja abaixo quais são:

  • Lesões no joelho: além dos machucados nos ligamentos já citados, a síndrome da dor patelofemural (também conhecida informalmente como joelho do corredor) é muito comum. Ela é caracterizada pelo dano na cartilagem que fica sob a rótula.
  • Torção de tornozelo: quem nunca torceu o tornozelo, não é mesmo? Apesar de ser a lesão esportiva mais comum, ela é particularmente mais frequente entre as mulheres.
  • Fascite plantar: um mal entre os corredores, a fascite plantar, que é o alinhamento anormal do pé e dos pés chatos, causa dores no arco da sola do pé e no calcanhar e uma inflamação nessa região.
  • Problemas no ombro: lesões no manguito rotador, que incluem tendinite ou bursite entram nessa lista.
  • Fraturas por estresse: estes são especialmente comuns no pé ou perna (tíbia) entre as mulheres, a “tríade de atleta feminina”, uma combinação de ingestão inadequada de calorias e nutrientes, períodos menstruais irregulares e perda óssea. Transtornos alimentares, incluindo anorexia nervosa, contribuem para essa tríade.

Pedro Baches, que operou  as jogadoras Debinha e Bruna,  da  Seleção Brasileira de Futebol Feminino e a Bagé, (ex-capitã), estudou os vídeos  das lesões reais do LCA  que ocorreram com  as atletas em movimento, identificou que quatro componentes motores comuns ocorrem quando a mecânica corporal inadequada acontece e quando o centro da massa corporal está fora da base do apoio para os pés.

Como evitar essas lesões?

A prevenção de lesões, obviamente, não difere entre os gêneros. Mas as mulheres devem ficar mais atentas ao fortalecimento dos músculos da coxa e do joelho, para evitar problemas no LCA – ligamento do cruzado anterior –6% mais frequente entre o sexo feminino, afirma Baches.

Uma análise de 2012, publicada no periódico Journal of Bone and Joint Surgery³, concluiu que os programas de treinamento para prevenir as rupturas do ligamento do cruzado anterior – LCA – eram altamente eficazes e reduziram em mais de 50% o risco de lesão para as mulheres (e em 85% para os homens).

De acordo com o médico os atletas podem reduzir o risco de lesões no LCA realizando exercícios de treinamento que exigem equilíbrio, poder e agilidade. Adicionando exercícios como pular e exercícios de equilíbrio que ajudam a melhorar o condicionamento neuromuscular e reações musculares, ele recomenda rotineiramente um programa de condicionamento do LCA, especialmente para mulheres jogadoras, praticantes de corrida e que frequentam as academias.

Por que as mulheres são mais propensas a algumas lesões do que os homens?

As diferenças no corpo dos homens e das mulheres são visíveis, mas mesmo as que não percebemos no dia a dia influenciam no desempenho de ambos no esporte.

As mulheres, por exemplo, têm maior tendência a lesões específicas, como as no joelho e no tornozelo.

Uma pesquisa publicada no periódico Clinical Orthopaedics and Related Research¹ concluiu que as mulheres costumam ter menos massa muscular e mais mobilidade, um combo perfeito para lesões nas articulações. Um dos motivos seriam os níveis mais altos de testosterona nos homens, um hormônio que facilita o aumento de músculos.

A maior flexibilidade entre elas seria justificada pelos ligamentos mais frouxos e músculos menos potentes, elevando também o risco de lesões.

Além disso, os quadris mais largos das mulheres, para o corpo comportar uma gestação, altera o alinhamento do joelho e do tornozelo e há também um espaço mais estreito dentro do joelho. É o que sugere um estudo publicado no periódico Sports Medicine².

“Uma atleta feminina pode ser tão adequada ou mais do que a sua contraparte masculina, ainda que pareça haver diferentes vulnerabilidades entre homens e mulheres para certas lesões esportivas”, concluiu Pedro Baches.

Referências  – artigo 1

Referências  –  artigo 2 

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Redação SO.U Movimento

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