Coronavírus

Qual a melhor máscara

MUlher tirando a máscara em público - foto criada por Freepik

Estudos recentes detalham os melhores tipos de protetores anti-Covid-19 – e os que não devem ser usados

Desde que a pandemia tornou as máscaras item obrigatório no dia a dia de todos para a contenção da Covid-19, agentes de saúde, cientistas e pesquisadores engajam-se na tentativa de descobrir quais os melhores tipos a serem usados. Até porque, ainda andaremos de máscara por um bom tempo.

Se por um lado, autoridades admitem, algum nível de proteção, mesmo com máscaras caseiras, um novo estudo publicado pelo jornal científico Physics of Fluids (“A Física dos Fluídos”), do American Institute of Physics (AIP Publishing), joga novas luzes sobre quais tipos de máscaras são mais efetivas.

“Todas as grandes agências de saúde têm expedido recomendações sobre o uso de máscaras, mas até então não havia indicações mais detalhadas sobre qual o melhor tipo a ser usado”, afirma o cientista (e PhD) Siddartha Verma, da Florida Atlantic University, autor do estudo. “Havia, sim, estudos sobre máscaras hospitalares, mas nada muito específico sobre máscaras para o cidadão em seu cotidiano. O que é normal, quando falamos de uma pandemia que até seis meses atrás ainda era desconhecida”, afirma. 

homem utilizando dois tipos de máscaras -  foto criada por freepik

De acordo com o estudo, o modelo de máscara mais recomendado é o N95, modelo universal, quase um respiradouro, que filtra elementos contaminantes à eficácia de filtragem de 95% contra vírus e bactérias que possam ser despejados no ar em forma de gotículas – daí seu nome. De uso hospitalar e industrial, geralmente se apresenta na cor azul. É feita de uma malha fina de polímero sintético, produzido através de processo altamente especializado denominado “sopro por fusão”, que forma a camada de filtragem interna de modo a filtrar partículas.

Mascara N95 - foto criada por azerbaijan_stockers / Freepik

Apesar do altíssimo nível de proteção, Dr. Verma enfatiza o fato de que a N95 não é uma opção à mão para a maioria das pessoas, e que, mesmo quando isso acontece, é necessário verificar se a máscara se encaixa adequadamente ao rosto – por ser um modelo fabricado em massa, podem haver casos  em que a N95 não se adapte à face, “o que faz com que sua eficácia diminua”, conclui.

Então, quais seriam as alternativas? Máscaras cirúrgicas e máscaras caseiras, se bem feitas, indica o estudo Physics of Fluids.

produção de máscaras caseiras - foto criada por by kbza / Freepik

Amplitude de proteção

No começo da pandemia, quando ainda se sabia pouco, ou quase nada, sobre o Coronavírus, as máscaras cirúrgicas, vendidas em farmácias, eram praticamente a única alternativa à disposição. De acordo com o American Institute of Physics, continuam sendo muito efetivas – além de oferecerem proteção, são leves e bem confortáveis.

mascara sendo produzida em casa - foto criada por pinnana-pixabay

Quanto às mascaras caseiras, Dr. Verma afirma que, para minimizar riscos de transmissão, é importante que sejam feitas de tecidos de qualidade e que levem uma ou mais camadas de tecidos acolchoados à base de algodão. “Também é importante que abranjam uma boa amplitude do rosto, sem serem desconfortáveis”.

mulher no notebook utilizando máscara caseira - foto criada por Freepik

Segundo a fisioterapeuta Adriana Halbe, deve-se escolher modelos que tracionem menos a região da orelha ou que gerem uma compressão menor na face.

”A região da face é extremamente inervada. O uso de máscaras de modo inapropriado tem sido responsável pelo agravamento das condições respiratórias, aumento nos transtornos de ansiedade e crises de irritabilidade; alterações nos padrões de fala; agravamento dos distúrbios da articulação temporomandibular (ATM), aumento na incidência de cefaléia e nevralgia trigeminal além das famosas lesões de pele”, explica a fisioterapeuta Adriana Halbe

Close-up de linda mulher com a máscara colocada adequadamente -

Por outro lado, Dr. Verma e equipe apontam os tipos de máscaras a serem evitados, por serem ineficazes contra o vírus. “Basicamente, aquelas adaptadas de lenços ou bandanas, que originalmente são feitos para outros fins. E qualquer máscara caseira que não tenha camadas de tecidos acolchoados. Se as pessoas soubessem o quanto essas máscaras improvisadas podem vazar, não as usariam”.

Distanciamento social, ainda fundamental

O estudo conclui que mesmo o modelo mais efetivo de máscaras não é “passaporte” para que as pessoas se descuidem do distanciamento social, que permanece como ferramenta crucial no combate ao Covid-19.

“É importante entender que mesmo a máscara mais eficaz não é 100% efetiva no bloqueio de patógenos respiratórios. Esse é o motivo pelo qual é imperativo mantermos uma combinação de cobertura facial, distanciamento social, uso de álcool gel e lavagem constante das mãos, entre outras recomendações das autoridades sanitárias”, assegura Dr. Verma. “Ao menos, até o surgimento de uma vacina efetiva”.

close-up com as mãos lavadas - Freepik

Enquanto isso, a máscara segue como item essencial de “vesturário” – todos devemos usá-las, afirma o estudo. “Se você está contaminado e não sabe, mas usa máscara, diminui significativamente o risco de transmissão. Se você não estiver infectado, ela o protegerá. A máscara é para proteger você e a quem se encontra ao seu redor. Quanto mais pessoas usarem, mais decai o nível de transmissão”, assegura Dr. Verma.

“Quando fazemos um balanço para selecionar qual máscara deve ser a eletiva, devemos inicialmente pensar quando e onde estaremos utilizando. Por exemplo, se você for em algum local de maior aglomeração como ao mercado, devemos ter um modelo que confira maior proteção e vedação ao rosto. Situação distinta se estiver caminhando no parque”, explica Adriana Halbe.

mãe e filha caminhando no parque - pexels-gustavo-fring

Outro ponto, não basta usar a máscara, precisa saber usar. Não ficar tocando, nem colocar a máscara em qualquer lugar.

mascara e comprimidos sem proteção sobre a mesa - foto criada por azerbaijan_stockers / Freepik

Se tiver que retirar, colocar um saquinho específico para não contaminar e de preferência borrifar alcool 70º dentro e fora antes de guardar até que seja higienizada ou trocada.

“Muitas pessoas usam a máscara como óculos, outras como bolsa. Para a proteção ser realmente efetiva, o uso da máscara deve seguir os parâmetros de higienização adequados. Não podem ser tratados como adorno que se tira e coloca em qualquer lugar de forma indiscriminada”, conclui a fisioterapeuta Adriana Halbe.

Close-up de um homem usando mascara com a cidade atrás desfocada - Freepik -

Referências

Flórida Atlantic University – www.fau.edu
Siddartha Verma – cientista (e PhD)  – Florida Atlantic University
Adriana Halbe – fisioterapeuta – ahalbe.com.br – @adrihalbe

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