Coronavírus

Quando a síndrome de burnout acontece em casa

vista frontal família feliz brincando com travesseiros - foto criada por freepik

Tensões causadas pelo longo confinamento em casa na pandemia podem evoluir para sintomas similares ao esgotamento por excesso de trabalho

Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional, por definição, “é o distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico, cuja principal causa é justamente o excesso de trabalho, em situações que requerem muita competitividade ou responsabilidade”. Pois bem, após longos meses de confinamento em virtude do Covid-19, algumas famílias começam a desenvolver uma espécie de “burnout familiar”, um desgaste nas relações em virtude de passar tanto tempo sob o mesmo teto.

Muitos fatores contribuem para isso: as escolas continuam fechadas, os adultos, pais ou parentes, trabalhando em casa (eventualmente, desempregados) e o distanciamento social permanece como recomendação fundamental, o que confina milhões de pessoas dentro de suas casas. Para piorar, a pandemia não dá traços de recuo, o que nos deixa longe da tão falada “volta ao normal”. Tudo isso resulta em stress.

Mãe e filhos em no isolamento social

Na prática, famílias seguirão confinadas por mais tempo ainda do que o imaginado, o que, em não poucos casos, pode levar a uma fadiga nos relacionamentos com sintomas semelhantes ao burnout tradicional, “de escritório”. Mas nem tudo é desesperança: há caminhos para aliviar as tensões dentro de casa durante a pandemia.

Identificando o burnout domiciliar:

Especialistas sugerem que algo não vai bem durante o período de longa convivência forçada pela pandemia quando alguns desses sintomas estão presentes, separadamente ou não:

  • sensação permanente de extremo cansaço físico e emocional.
  • não completar tarefas simples, antes executadas facilmente. 
  • irritação constante por motivos por vezes banais.
  • pouca paciência às menores coisas, seja com os filhos ou, por exemplo, fazendo o jantar, arrumando a sala, etc.

Pode-se até deduzir que muitos pais – especialmente pais solteiros – poderiam ter desenvolvido esses sintomas antes até da pandemia. Porém, como explicar o aparecimento desses sintomas em quem agora aparentemente tem todo o tempo do mundo em mãos?

Aliás, para pais ou mães solteiros (e chefes do lar), que não têm com quem dividir tarefas, responsabilidades e preocupações e, por consequência, conseguem pouco tempo para si durante o distanciamento social na pandemia, é ainda mais fácil atingir o burnout. Note-se que parte expressiva desse contingente encontra-se em regime de home office. 

Toda atenção é pouca. Porque o burnout doméstico não só antagoniza pessoas, mas pode inclusive afetar relacionamentos conjugais.

Exemplos? A mesma China onde tudo começou sofreu uma explosão nacional sem precedentes de pedidos de divórcios assim que cartórios e afins reabriram, após o período de lockdown.

E não são só adultos: crianças também podem experimentar o burnout familiar: ansiedade, irritação excessiva, mau desempenho ou desinteresse nas aulas virtuais, sono agitado ou tendência à apatia e isolamento, estão entre os sintomas do burnout “em casa” verificados em crianças. Já nos adolescentes, os conflitos com os pais tendem a aumentar – elementos como ausência da interação física com colegas e amigos (importante nessa fase), indefinição do calendário letivo e cobranças em seu desempenho acadêmico independentemente de aulas presenciais, formam o gatilho para o burnout em casa.

Reduzindo o impacto

No momento em que tantos experimentam o acirramento das relações domésticas por conta do confinamento, isso não quer dizer que não seja possível evitar ou contornar o problema. Ao contrário: algumas regras e pequenas mudanças de atitude podem fazer toda a diferença no gerenciamento do burnout em casa.

  • equilibrar o tempo da família e o seu tempo é regra de ouro para afastar o burnout para longe.
  • estabelecer uma rotina de horários para trabalhos (adultos), estudos (crianças e jovens) e refeições (em família) pode ajudar a evitar conflitos.
  • dormir bem: boas noites de sono têm poder reparador.
  • se possível e socialmente seguro, sair para pequenas caminhadas pela vizinhança. 
  • estabelecer com o(a) parceiro(a) alguns breaks ao longo do dia, sem interrupção da atividade escolhida (ler, ver TV, responder e-mails, etc).

  • estabelecer com o(a) parceiro(a), divisões de tarefas e dando ao outro um tempo diário “off” dos deveres do lar.
  • quem tem crianças pequenas pode sugerir atividades que as tirem da rotina (TV, videogames, celular), como andar um pouco de bicicleta, passeios curtos, etc. 
  • ao lidar com crianças/jovens que possam estar sob stress causado pelo longo confinamento, tentar táticas não punitivas – melhor usar de psicologia, encorajando-os e reforçando sua autoestima. 

É importante, entretanto, saber discernir quando se está prestes a “explodir”. Se o momento for esse, é hora de pedir ajuda. Sem traumas, sem culpas. Ninguém falhou, o burnout familiar é síndrome agravada pela pandemia. Então, é ideal buscar uma consulta virtual – um ansiolítico prescrito pelo médico e algumas medidas no dia a dia podem melhorar muito o cotidiano em casa durante a pandemia.

Saiba mais sobre a Síndrome de burnout na área profissional

https://saude.gov.br/saude-de-a-z/saude-mental/sindrome-de-burnout

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Redação SO.U Movimento

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