Coronavírus

Sem pânico na pandemia

Cientista conectada envolta por ícones digitais - rawpixel.com - Freepik

Cientistas alertam para o aumento dos casos de busca inconsciente por más notícias sobre o Covid-19 – o que é péssimo para a saúde

Em inglês, o termo é doomscrolling – ainda sem equivalente em português, significa o ato de ansiosamente vasculhar as mídias sociais e fontes noticiosas em geral à procura de notícias. Esse comportamento já existia antes da pandemia, contudo ganhou muito mais amplitude após a chegada do novo Coronavírus – e não dá sinas de arrefecer, mesmo após passados vários meses de quarentena forçada. Na prática, significa que incontáveis legiões de pessoas ao redor do planeta gastam boa parte de seu dia vasculhando notícias sobre a Covid-19. Um mal sutil, subliminar, mas que em nada ajuda a saúde, mesmo que não percebam.

linda garota com ar de surpresa ao olhar o celular -  foto criada por  katemangostar - Freepik

“No geral, a pandemia exacerbou diversos hábitos, incluindo o das pessoas procurarem ansiosamente e repetidamente por notícias sobre o vírus, notícias essas que em sua maioria não são boas”, afirma a psicoterapeuta Ariane Ling, professora titular do departamento de psiquiatria da New York University, em Nova York. “Trata-se de uma espécie de compulsão inconsciente no qual as pessoas ficam constantemente à caça de notícias ruins sobre a pandemia. E esse fenômeno se repete no mundo todo”, afirma.

Garota navegando pelas redes sociais pelo telefone - foto criada por Freepik

Como exemplos, o Twitter revelou um aumento mundial de 24% de usuários, diariamente, após o começo da pandemia; idem para o Facebook, que registrou um aumento de 27% no mesmo período.

Ansiedade, depressão e sensação de insegurança, entre outros efeitos, são algumas dos danos colaterais do doomscrolling. “É algo que já existia e piorou durante a pandemia. Infelizmente, a procura compulsiva por notícias do Covid-19 é prejudicial. A postura hipervigilante ao perigo faz as pessoas sentirem-se mais protegidas, sem perceber que estão entrando em um vício insatisfatório que as empurra cada vez mais de encontro as notícias negativas sobre a pandemia”, reitera Dra. Ling. “E eu temo os efeitos disso especialmente sobre crianças, adolescentes e jovens, porque é um hábito evolucional”.

amigos conectados às redes sociais - rawpixel.com - Freepik

Efeitos físicos e psicológicos

Quarentena, distanciamento social e o fato de sentir-se “preso” em casa agravam o quadro do consumo de notícias negativas, “e isso pode levar a um grande medo e doses de ansiedade e stress”, endossa Dra. Carla Marie Manly, psicóloga e autora do livro Joy from Fear: Create the Life of Your Dreams by Making Fear Your Friend (“Alegria do Medo: Crie a Vida dos Seus Sonhos Transformando o Medo em Aliado”). “Toda essa informação, essa carga negativa, pode causar certo temor, de nível baixo, mas constante, do qual pode não ser fácil se livrar”. Ela enumera alguns dos efeitos do doomscrolling:

  • ansiedade e depressão
  • sensação de insegurança e medo ao, por exemplo, sair para compras
  • dificuldade de concentração
mulher concentrada em seu tablet sobre a mesa - foto criada por Prostooleh / Freepik
  • distúrbios do sono
  • queda na performance profissional
  • comer em excesso (o popular “descontar na comida”)
  • eventualmente, sintomas de pânico
Mulher impressionada ao ver notícia no celular - drobotdean - Freepik

Uma vez que a saúde física está conectada diretamente à saúde mental, é preciso estar alerta. “A reação de quem se enquadra no doomscrolling a uma notícia negativa é mergulhar ainda mais atrás de outras notícias ruins sobre a pandemia, o que piora ainda mais a ansiedade”, relata Dra. Areana Ling. Em longo prazo, a cientista adverte, podem surgir alterações físicas importantes no organismo. “A ansiedade causada pelo doomscrolling aumenta os níveis de cortisol e adrenalina, que são hormônios do stress. Se isso ocorre por muito tempo, pode acarretar distúrbios como gastrites e úlceras, ou até piores, como diabetes, obesidade e doenças cardíacas”.

mulher trabalhando conectada a rede - master1305 / Freepik

Informação na medida certa

Algumas medidas podem ajudar as pessoas a ficarem informadas e alertas sem “naufragar” em uma maré baixo-astral nas notícias negativas sobre a pandemia.

Ao invés de tentar interromper o doomscrolling de uma vez, Dra. Carla Mainly sugere que é mais efetivo tentar limitá-lo aos poucos. E uma boa medida é criar barreiras no uso das mídias sociais – no Twitter, por exemplo. “Limitar o tempo diário de uso das mídias sociais é um bom começo, mas é preciso força de vontade”, adverte.

linda mulher no sofá navegando no tablet - Racool_studio / Freepik

“Se você está se sentindo agitado, ansioso ou estressado além do normal, é seu corpo sinalizando para um basta. Hora de fazer como você faria se estivesse comendo uma comida ruim ou estragada: simplesmente pare de comer. Ponha o garfo de lado e empurre o prato para longe”, conclui.

Referências

Dra. Ariane Ling – psicoterapeuta e professora titular do departamento de psiquiatria da New York University (NYU), em Nova York

Dra. Carla Marie Manly – psicóloga e autora do  livro Joy from Fear: Create the Life of Your Dreams by Making Fear Your Friend (“Alegria do Medo: Crie a Vida dos Seus Sonhos Transformando o Medo em Aliado”).

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