Tempo de solidariedade

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Solidariedade nos tempos de Coronavírus

E de repente, o mundo se tornou tão pequeno com essa pandemia de Coronavírus. Os especialistas e órgãos de saúde preconizam o isolamento. Não manter o contato físico, e a distância que separa corpos, têm, no entanto, unido muitas pessoas ao redor do planeta numa corrente de solidariedade.

Com todo mundo sentindo na pele o mesmo drama, quarentena, autoisolamento e outras medidas por medo do vírus, muita gente resolveu tirar os olhos do próprio umbigo para enxergar a dor do outro e literalmente dizer: “Um por todos. Todos por um”.

“Essa é a hora de cada um fazer a sua parte em prol do bem de todos, diz a microempresária Patrícia, que já foi fazer compras de supermercado e farmácia para 2 clientes dela que fazem parte do grupo de risco.

Faz bem para quem dá e para quem recebe ajuda

“Nunca vi nada parecido com isso”, diz a aposentada Maria Lúcia, do alto dos seus 66 anos se referindo a epidemia. “Mas, também nunca vi uma corrente de amor e solidariedade, da preocupação com o outro como estou vendo agora”. Ela, que está isolada em casa, teve ajuda de uma vizinha para as compras e diz como se sentiu ao ser ajudada. “Fiquei emocionada. E é importante isso, propagar o máximo que a gente puder, que ajudar o próximo sempre foi um bom alimento para o coração”.

Música nas varandas

Quem canta seus males espanta, já diria o adágio popular. E foi por meio da música que muitos italianos espantaram o medo e a solidão. Vídeos com serenatas, trompetes e até panelas servindo como instrumento musical viralizaram nas redes sociais, mostrando os italianos cantando juntos das janelas e varandas, trazendo uma mensagem de esperança que comoveu o mundo.

A cantoria que vimos na Itália já havia acontecido antes em Wuhan, quando a cidade de 11 milhões de pessoas na China era o epicentro do surto do coronavírus e estava completamente fechada. Na época, em janeiro, vídeos mostravam moradores gritando de suas janelas palavras de encorajamento e cantando.

Como posso fazer bem ao próximo?

O que posso fazer em prol da coletividade, muitos se perguntam? O farmacêutico Maicon Diego Custódio, 33, dono de uma farmácia em Curitiba, pensou em ajudar a população do seu bairro doando frascos de álcool em gel. A boa ação ultrapassou os limites do bairro, fazendo com que em poucas horas ele distribuísse cerca de 15 litros do produto que se esgotou em pouco tempo, mas a vontade de ajudar, continua e ele tem percorrido fábricas em busca do produto para continuar distribuindo para a população. O seu gesto viralizou e agora outros soldados do bem estão ajudando o farmacêutico, até mesmo com dinheiro, para que a distribuição de álcool em gel gratuito chegue ao maior número de pessoas.

A artista plástica, Andrea Aparecida, 34, também viu na distribuição de álcool em gel uma forma de fazer a sua parte. “ Algumas pessoas ao meu redor têm enfrentado uma situação econômica difícil, algumas têm crianças pequenas. Eu fiz uma cestinha com álcool em gel e outros produtos de higiene e presenteei essas pessoas. Pode parecer pouco, mas tem muita gente que não tem dinheiro nem para comer direito, imagine para comprar o álcool em gel”.

O que eu posso fazer por você?

A psicanalista Andressa Ferrarezi, 42, decidiu criar um grupo de whatssap do condomínio onde mora há 10 anos, com cerca de 270 apartamentos, na Barra Funda, em São Paulo, com o intuito de ajudar não apenas os idosos, mas todos os moradores de alguma forma.

“Tomei essa atitude depois que meu vizinho de porta me encontrou no hall e perguntou se eu era a nova moradora do apartamento, sendo que eu moro no mesmo lugar há dez anos. E deu aquele clique. Nós não conhecemos o nosso vizinho de porta. E se alguém precisar de ajuda? Foi então que eu resolvi criar esse grupo para perguntar, o que posso fazer por você? A gente desaprendeu a pedir ajuda. Acho que essa é a hora de pedir ajuda, de não ter vergonha, de partilhar, de contribuir para o bem de todos. A palavra solidariedade precisa ser resgatada na sua essência, precisa ser compreendida, não pode ser uma palavra de assistencialismo, que foi o que aconteceu com ela. Ela tem que acontecer na prática. E ajudar, é fazer o bem independentemente de qualquer coisa. De saber que o outro é diferente, tem suas questões, suas crenças, suas histórias, divergências políticas, mas que mesmo assim eu posso fazer algo por ele. Esse senso de comunidade, essa relação comunitária que nós perdemos precisa ser resgatada, senão todos nós vamos adoecer e não é de Covid-19. Vamos adoecer de falta. Falta de contato, falta de solidariedade, falta de amor”, finaliza.

Conscientização:

Os pequenos comércios perto de casa precisam do nosso apoio. Abaixo, uma campanha que está sendo difundida nas redes sociais: Compre do pequeno.

“Pequenos negócios correm muito risco com o COVID-19.

Um mês difícil pode “quebrar” um negócio!

Peça comida das pequenas lanchonetes. Compre no petshop da esquina e não das grandes redes. Vá na mercearia perto da sua casa e não na grande rede de supermercado.

McDonald’s vai sobreviver. Carrefour vai sobreviver. Starbucks vai sobreviver. Ajude aquelas empresas que realmente precisam para continuar existindo.

Compre do pequeno. Ajude o independente e mantenha a economia girando.”

About the author

Elliana Garcia

Elliana Garcia

Repórter, escritora e roteirista.

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